terça-feira, 15 de junho de 2010

MEUS PRIMEIROS PLANOS INFALÍVEIS - II

Hoje foi um dia especial para o meu projeto de fotografia. Comprei minha Nikon D90, e estou começando a me familiarizar com o fotômetro e os ajustes de obturador e diafragma. Estou me sentindo uma 'mãe de primeira viagem', daquelas mães bestas que têm medo de pegar os filhos porque eles parecem frágeis demais. É assim que eu estou com a câmera... cheia de dedos... mas sei que isso passa... e enquanto ela não tiver o filtro, vou deixá-la em casa mesmo. Mas não vejo a hora de tirar um fim de semana pra fazer umas fotos em algum lugar...

Bom, voltando de onde paramos... Meus primeiros planos infalíveis;

Eu fui uma boa aluna no período de escola. Passei em todas as séries.
Eu enlouqueci mesmo foi no vestibular. Peguei a 'síndrome dos 50 por vaga'.
Eu encarei o vestibular como Rocky Balboa encarava os ringues. Respirei vestibular - e só vestibular - por um ano inteiro e sofri de várias paranóias malucas.

A primeira paranóia foi "TENHO QUE PASSAR ESSE ANO PORQUE NÃO AGUENTARIA MAIS UM ANO DESSES".
Hoje, do alto dos meus míseros 27 anos, eu vejo que eu era o tipo de aluna que iria passar no segundo vestibular, mais madura, mais certa do que queria, e com mais conhecimento para ter uma colocação melhor. Mas eu achava que se eu não passasse de primeira, a tristeza e o desespero iriam me sucumbir e eu nunca mais acreditaria em mim mesma, porque aliada a essa, tinha outra paranóia:

"EU NUNCA POSSO SER REPROVADA EM NENHUMA PROVA FINAL, EM NENHUMA SELEÇÃO FINAL, EM NADA"; eu me dei conta de que nunca havia sido reprovada em nada, e não era agora que eu iria me permitir fracassar.
E isso foi tão obsessivo na minha vida, que a minha maior preocupação não era a carreira, e sim, a relação candidato-vaga!
Graças a Deus eu não pensava em Medicina, nem em Direito, mas a-do-ra-va Publicidade e Relações Públicas. Na época, depois de Medicina e Direito, eram as carreiras mais concorridas. Quase 50 candidatos por uma vaga... solução??? Ser covarde o bastante para escolher 5 profissões (três das quais eu gostava maaais ou meeenos, mas tinham uma excelente relação candidato/vaga - 1 para 20 no máximo), colocar cada uma delas em uma faculdade diferente, e rezar pra 'DEUS' escolher o meu destino...
É óbvio que Deus tinha coisa melhor pra fazer do que aturar minhas covardias, e eu acabei ficando nas mãos da Probabilidade mesmo;

Logo;  passei na mais fácil (ou menos difícil, se preferir assim). Arquitetura na UFRJ.
O novo plano infalível??? Fazer Arquitetura na Ufrj - que era tida, alguém algum dia falou, como a mais conceituada em Arquitetura. E aqui nascem outras paranóias de vestibular. A primeira;

"QUANTO ANTES VOCÊ SE FORMA, MAIS CHANCE TEM DE VENCER" - Balela! Mas eu achava que sim, por isso também, a minha pressa de passar no primeiro ano.

Segunda: "QUEM FAZ A FACULDADE MAIS CONCEITUADA DA PROFISSÃO, TEM MAIS CHANCE DE VENCER" - E permitam-me frisar que eu disse 'mais conceituada', e não melhor.
Isso é outra balela.... Eu me enfiei no fim do mundo (leia-se: Fundão - o nome do local diz tudo), gastei dinheiro de passagem e alimentação como uma louca, saía de Niterói e atravessava o Rio todos os dias, em pé num ônibus cheio, uma hora e meia pra ir, sabe-se lá Deus quantas horas pra voltar, passando perto de várias zonas de risco da Avenida Brasil, tudo porque??? Porque algum dia, alguém disse que a UFRJ era a melhor faculdade de Arquitetura do estado, e as pessoas saíram propagando isso, e eu BURRA acreditei em algo que 'as pessoas falavam por aí'.
Tudo isso pra encher a minha boca pra falar que eu estudava Arquitetura na UFRJ! Uff era medíocre!
-B-U-R-R-A!!!!!
Bastaram alguns meses pra eu começar a baixar a minha crista. Eu via as pessoas da Uff almoçando em casa, estagiando em alguma coisa, tendo o conforto de ir a pé para a faculdade ou pelo menos pegar um ônibus só, e eu perdendo o meu dia inteiro naquele fim de mundo, sem poder voltar porque tinha uma aula às 10:00 e depois só as 13:00... ficávamos perambulando naquele lugar poeirento durante tres horas, esperando a próxima aula. Mas não era só isso;
A comida era um lixo - pelo menos a que os estudantes podiam pagar. As salas velhas e caindo aos pedaços, os banheiros com seus tetos escorados por cabos de vassouras. Faltava tudo e mais alguma coisa. E os professores; a maioria uns prepotentes que tratavam a gente que nem lixo, davam explicações de má vontade, exigiam projetos impossíveis de serem executados, e as vezes faltavam sem dar a mínima explicação.

Deixa eu contar só duas histórias;
Um dia, eu cheguei pra fazer uma prova e a sala estava interditada. Porque estava com PULGA!!!! Você imagina uma sala com pulga???? Pois é; nem queira ver aqueles bichinhos pretos nojentos pulando no seu moletom!
Uma outra vez, eu estava fazendo um trabalho sobre os jardins do MEC. A professora olhou a maquete e me disse: "_Eu quero ver os jardins RESPIRAREM!"
Eu e o grupo passamos 4 horas pensando sobre o que iríamos fazer, pois como fazíamos parte do grupo contra drogas e maconha, nunca tínhamos visto um jardim respirar. Resolvemos então, inebriados pelo cansaço físico e mental, fazer as árvores e plantas roxas e rosas, fazendo uma alusão ao pulmão, como se fossem brônquios; o jardim como o pulmão do Mec! Meio maluca a idéia, mas era boa... pra quem chama de arte, um ponto preto num canto de uma tela branca. E a professora a princípio aprovou. Mas quis o restante do prédio em acrílico.
Vocês sabem  quanto custa fazer uma maquete de mais ou menos 30x50 cm DE ACRÍLICO?????
Gastamos 120 reais só na estrutura da maquete. Quando mostramos o projeto, um dia antes da apresentação, a maluca me diz que queria que o prédio imergisse de dentro de uma bola de ar. Sugeriu uma bexiga!!!! UMA BEXIGAAAA!!!! Agora me digam por favor, se vocês, assim como eu, têm o mínimo de noção de tamanho; COOOOMMMOOO, por Deus, eu poderia colocar uma caixa de acrílico pontuda de 30x50, dentro de uma bexiga - mesmo que fosse um bolão!? Ela queria uma bexiga cheia de ar, e dentro, 'flutuando', o prédio!!!!!! Óbvio que não conseguimos.....
Resultado; um 6! Tiramos 6! Só conseguimos tirar um 6 e ficar uns 200 reais mais pobres....
Depois as pessoas me chamam de LOOUCA por eu ter saído correndo daquele hospício!
Eu digo; não fui louca por ter saído. Fui louca por ter entrado. Principalmente porque era um curso que eu gostava maaisss ou meeenos.
Então, deixa eu listar algumas coisas que eu aprendi com isso, porque acertar eu ainda não sei, mas se puder ajudar contando onde eu errei, ja estou satisfeita:

1. NÃO SE SINTA OBRIGADO A SABER O QUE QUER COM 18 ANOS:
As pessoas vão te pressionar... mas não é por mal. É por ansiedade, sei lá. E você não tem que considerar mais nada, além de : _"Em que eu gostaria de trabalhar, todos os dias, daqui em diante?" - esqueçam  a relação candidato/vaga, você é jovem e pode esperar mais um pouco pra passar no que você realmente quer. Um, dois ou três anos não são nada de atraso na sua vida comparados com o resto dela.

2. NÃO DESISTA DO QUE QUER POR SER DIFÍCIL:
Posso garantir que, mais difícil do que passar em medicina, é passar a vida (ou parte dela) fazendo algo que você não quer. Nós passamos 16 horas acordados, por dia, e dessas 16 horas, 8 são trabalho, 5 dias por semana... É muito tempo pra estar em companhia de algo que não se gosta.
Eu tenho um amigo que passou anos tentando medicina. No fim, as pessoas já pressionavam, criticavam, alguns amigos já estavam nos últimos períodos, mas ele continuou.
Se formou no ano passado. E eu que corri tanto atrás do que eu NÃO queria, estou hoje, tendo que recomeçar do zero e não sou formada em nada. Logo, prefira fazer bem feito, pacientemente, uma vez só, pra não ter que ficar mudando de carreira. Agarre-se ao que você quer.

3. TER DIPLOMA NÃO É GARANTIA DE NADA. E NÃO TER, TAMBÉM NÃO É CONDENAÇÃO A NADA.
Se a profissão que você gosta não exige faculdade, e sim um curso técnico, vá a em frente. Conheço várias pessoas que têm sucesso e ganham bem, com curso técnico, e também conheço advogados que ganham uma merreca, e em 4 anos de trabalho, não vão compensar sequer a grana que investiram na faculdade. Falando nisso;

4. NÃO EXISTE PROFISSÃO QUE GARANTA RIQUEZA:
Por favor, não deixe de fazer o que você gosta porque alguém te disse que se fizer Direito, vai ter mais sucesso, vai ganhar melhor. Isso não existe!!! Direito é um curso como qualquer outro; você tem que
 correr atrás pra conquistar o seu lugar. Existe uma minoria de Promotores, Juízes e Delegados - os bem pagos do direito - e alguns advogados que têm seu lugar ao sol, seguidos por uma penca de gente que ganha o suficiente pra tomar uma cerveja nos fins de semana, trabalhadores comuns, que ganham salários comuns. E essa é a maioria esmagadora! Pelo amor de Deus, cuidado com o 'plano infalível': Fazer Direito pra ser Juiz. Não é fácil assim. Como em qualquer outra profissão, pra você chegar ao topo tem que ralar muuuuuito, estudar, abdicar de várias coisas, se esforçar além dos seus limites. E se dedicar tanto a algo que você não gosta, é um inferno!
Tem cabeleireiros que ganham fortunas, Músicos que são ricos, enfim, é 'menos falível' você escolher o que gosta pra ser realmente bom naquilo. E, se tiver atitude e contatos, vai crescer.

5. DIFERENCIE 'FACULDADE BOA' DE 'FACULDADE QUE TEM FAMA DE BOA':
Primeiro, vou te contar um segredo; na maioria dos casos, não faz a mínima diferença pra quem vai te contratar, se você fez UFRJ, UFF, UERJ... Claro que se você fez uma faculdadesinha de esquina que nem conhecida é, ou uma que tem fama de ser péssima, pode fazer diferença. Mas tirando essas, as outras estão todas no mesmo saco. O que vai fazer a diferença realmente, é o seu currículo! Sua experiência, as coisas de que participou, cursos que tem, como você se promove no seu currículo e o que eles vêem em você na hora da entrevista. Sobre a faculdade, o que interessa é se você é formado; PONTO.
E se você tem preconceitos contra faculdades particulares, é bom repensar.
Faculdade boa é aquela que, em primeiro lugar, tem aulas. Uma boa faculdade tem professores bem sucedidos em suas carreiras, bem pagos e motivados a deixarem um legado. Uma boa faculdade tem infra-estrutura e 'empresas juniores' para dar aquela força na sua primeira experiência. Uma boa faculdade promove cursos e palestras com pessoas de sucesso na sua área, e acima de tudo, contatos, amizades com pessoas que vão poder se juntar a você no futuro e crescer junto, ou até quem sabe, te puxar pra cima.
Existem faculdades que a meu ver, são sim, muito mas muito superiores às faculdades públicas. IBMEC, ESPM, a própria PUC, e várias outras. Algumas particulares ficam no nível das públicas, pois têm a mesma qualidade de ensino , só que uma melhor infraestrutura, mas não a mesma 'fama'. E outras realmente ficam abaixo, por atraírem um grupo de alunos despreparados, e terem uma política de aprovar a torto e a direito.

6. FAÇA CONTATOS
Os contatos são cruciais... ter amigos que tenham bons contatos faz com que as oportunidades cheguem aos seus ouvidos primeiro. Você deve procurar amigos que possam ser parceiros de profissão.
É um erro passar os 4 ou 5 anos de faculdade, focando nos amigos engraçados, legais mas que só podem te convidar pra uma cerveja no boteco do bigode...
Voce pode tê-los. Mas foque no amigo que futuramente pode te convidar para um estagio, pra montar um negócio, ou pra empresa do amigo do pai dele. Foque naqueles que somem, profissionalmente, a você.
Você vai precisar muito deles ao longo da sua carreira.

7. MELHOR CAIR NO MERCADO DE TRABALHO DO QUE SER UM ETERNO ESTUDANTE:
Ter mestrado, doutorado, curso dos cambau a quatro e especializações é muito bom. Mas não é tudo e nem é o mais importante. Se você ficar a vida inteira inventando mestrados e doutorados e esquecer de 'ops' TRABALHAR, você vai ser um gênio desempregado.
Quem te contrata quer a tal experiência. E um nome de uma grande empresa ou de um grande projeto pesam mil vezes mais no seu currículo do que milhões de especializações.

8. NÃO FIQUE ESPERANDO O ESTÁGIO PERFEITO; SE JOGUE NO QUE TEM
Como eu já disse, o que conta é experiência, experiência, experiência.

9. SE VOCÊ SENTE QUE ESTÁ NA FACULDADE ERRADA, SAIA LOGO, NÃO FIQUE ESPERANDO OS ÚLTIMOS PERÍODOS PRA SE SENTIR INFELIZ.
Mas saiba diferenciar. Existem certos cursos (profissões) em que o período de faculdade em si, nada tem a ver com a execução da profissão. Exemplo: psicologia. Na faculdade você vai estudar toda a teoria, mas o seu dia a dia não vai ser com um livro, e sim, com pessoas, varias pessoas falando e ouvindo você. Ou seja, você pode não gostar do período do curso, mas vai gostar de ser psicólogo.

10. SAIBA FAZER O SEU CURRÍCULO E FAZER ENTREVISTAS:
Em 2007, eu fui assistir a uma palestra/ curso de vendas de um espanhol, que era um dos presidentes da empresa em que eu trabalhava. Um amigo de trabalho ficou de fazer as traduções. No segundo dia, ele estava rouco e disperso e eu me ofereci pra fazer as traduções daquele dia (lembra que eu fiz o básico de espanhol? Falei no post anterior)- tudo muito informal.Mas me saí muito bem.
No meu currículo essa experiência 'informal' está descrita da seguinte forma: Na parte de idiomas: Em experiências - Espanhol: 'Tradução do Curso de Vendas e Negociação, ministrado pelo Sr. xxxxxx , presidente da companhia xxxxxx'.
Ou seja, coisas pequenas que esquecemos, poderiam somar uns pontos a mais no nosso currículo.
Saiba colocar as suas experiências de modo atraente.
Quanto às entrevistas, nunca perdi uma sequer. Passei em todas as entrevistas de todas as seleções que já fiz na minha vida. E olha que são muitas, e em diversas àreas e com vários concorrentes. Futuramente eu faço um post dando dicas para entrevistas. Mas o básico é; seja simpática, agradável, se tiver uma oportunidade de 'pegar o lápis que caiu no chão, da outra candidata, e devolvê-lo com um sorriso', não perca essa oportunidade. Isso demonstra várias coisas sobre você, e o entrevistador com certeza vai perceber. Mas não seja falsa. Aproveite o momento para demonstrar suas qualidades, mas só as que forem genuínas. E nunca, nunca se mostre cheia de si. Humildade é algo que todos prezam.

... amanhã continuamos...





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